Data de publicação: 12 de setembro de 2025
O setembro Amarelo é uma campanha fundamental para a conscientização e prevenção do suicídio, e sua relevância no mundo do trabalho é cada vez mais reconhecida. Este mês tem como objetivo romper o silêncio em torno do suicídio, promovendo diálogos abertos sobre saúde mental e incentivando a busca por ajuda.
Embora o foco não se destine especificamente aos trabalhadores, o ambiente de trabalho ganha especial importância devido ao impacto significativo que a organização do trabalho pode ter na saúde mental.
O estresse, a pressão por resultados, jornadas excessivas e a falta de reconhecimento são fatores que contribuem para o esgotamento mental, um problema que pode levar ao desenvolvimento de transtornos mentais, incluindo a depressão, ansiedade e, em casos extremos, ao suicídio.
Trabalho e cuidados com a saúde mental dos trabalhadores
O trabalho na vida de uma pessoa é mais do que uma simples fonte de renda; ele é sinônimo de crescimento profissional, possibilita a construção de objetivos e a realização deles. Através do trabalho, desenvolvemos habilidades, adquirimos conhecimentos e enfrentamos desafios que nos impulsionam a evoluir continuamente. Além disso, trabalhar é também criar e transformar a nossa própria história.
A terceira maior causa de afastamentos por auxílio-doença acidentário, segundo dados da Previdência Social, está relacionada aos transtornos mentais. A Norma Regulamentadora – NR 01 (Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais) introduziu a identificação e gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
importância do setembro amarelo na conscientização sobre a saúde mental no ambiente de trabalho.
No campo do trabalho, temos uma discussão que precisa avançar muito. Ao longo da pandemia vimos algumas categorias profissionais se tornarem mais vulneráveis ao suicídio, como as forças de segurança. Vimos também que alguns elementos comuns a várias categorias, como precarização de vínculos, dificuldade de diferenciar lazer de trabalho, muito comum no home office, também estão associados a sofrimento mental. Um conjunto de transformações contemporâneas no mundo do trabalho, como a apologia ao empreendedorismo, fragilização do movimento sindical, uberização do trabalho tendem a vulnerabilizar a saúde mental do trabalhador. Desta forma, achamos muito importante a visibilidade dada a este tema em setembro para promovermos o debate entre as mudanças no mundo do trabalho, prevenção e suicídio.
Existem várias evidências epidemiológicas de que situações de pressão, vulnerabilização de vínculo de trabalho, assim como pouco envolvimento do trabalhador em decisões que envolvem sua própria atividade estão relacionadas a mais sofrimento mental. Há situações de sofrimento que são específicas de cada atividade, como exposição à violência com pessoas que trabalham na área da segurança. Entretanto, algumas outras, como baixos salários, carga horária excessiva, assédio e conflitos no trabalho, são situações geradoras de sofrimento em qualquer atividade.
Quadros de depressão e ansiedade são transtornos particularmente muito comuns, chegando até a 30% em alguns estudos populacionais. Desde novembro de 2023, são consideradas potencialmente doenças ocupacionais. Desta forma, é importante realizar diagnósticos, uma vez que a imensa maioria dos usuários de psicotrópicos não é diagnosticada de forma apropriada.